13.6.09

Sem Título

Quinta-feira! Dia pouco provável...
Olhou o relógio as sete e trinta e sete da manhã.
O cheiro na verdade era o que mais o despertava. Café.
A agitação da casa e as portas batendo só davam a ele mais sono.

Impossível!

Isso já não voltaria. Não havia mais o cheiro e nem o barulho dos seus.
O que se passou em todo esse tempo?
Onde esteve escondido aquele que despertava nele em uma aurora já vencida?
Saudade dos passos leves, saudade das mãos nervosas
e da comunhão de manhãs e quartos tão coletivos.

Na cabeceira da mesa o chefe, o pai,
mistura de um tempo e costumes já passados
com um coração de tempos ainda não chegados e o
carinho velado de um anjo que nem se percebia como anjo, a mãe,
enchiam o seu peito de segurança.
Ao lado companheiros de aventuras o faziam sorrir.

Hoje acordava sem cheiro,
sem chefe, sem anjo, sem companheiros.
Às sete e trinta e sete acordava seco até para chorar,
brigava apenas para que essas manchas de lembranças,
que ainda chegavam não fossem embora,
para não deserdar da última gota de verdade que ainda respirava.

6.11.08

19.9.08



29.7.08






27.5.08

...Nunca fui senão uma criança.
Fui gentio como o sol e a água,
de uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
nem procurei achar nada,
nem achei que houvesse mais explicação
que a palavra explicação não tem sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva –
Ao sol quando havia sol
e a chuva quando estava chovendo
(e nunca a outra coisa),
sentir calor e frio e vento,
e não ir mais longe.

Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão –
Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
e sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os são amados
como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.

Fernando Pessoa

3.4.08



2.4.08





1.3.08

Navios no porto zarpam quando menos se espera.
A noite escura esclarece pontos obscuros



22.2.08



28.1.08

Há em todo o espaço fragmentos do que eu fui, sou e serei. Não sei ao certo. É angustiante o caminho não percorrido e aniquilante dispersão de mim mesmo.